29/05/2012
destinos em desalinho
Horas mortas no silêncio
Intacto de nossa indiferença
Olhos embasados – faltam apetite
Que se esvai ao acaso
Em dias sem noites, e sem fim
Horas tortas – até onde a dor alcançar
Sobre a laje fria do quarto
Na cama em desalinho
Solidão…
José Leôncio 29maio2012
21/05/2012
as pedras
Porque mexer nessas coisas
Que o tempo levou
Que o vento soprou em contrário
No pó da existência de nós dois
E das cinzas e do pó lançado
Por aí, a esmo, sem rumo
O tempo zeloso, cuida, intumesce
O vento de novo arremessa, conspira, favorece
E no remoinho da vida, as pedras se encontram…
José Leôncio 21maio2012
14/05/2012
carla e carol
para carla e carol
Quando ela ri, o mundo gira mais leve
A vida passa numa medida de tempo
Que sossega meu coração
E tudo ganha energia e magia
Quando ela ri, já um clarão principia
Desmonta noites e trevas
Um rio imaginário invade um novo dia
E tudo se modifica, não tenho mais medo
Quando ela ri, um risco de luz
Velozmente como um sol
Toma a cidade a estrada, o mundo
E meu coração em oblação…
José Leôncio 14maio2012
03/05/2012
do branquear para o enegrecer
Branquear negros,
Tinha sua importância democrática
De se negar as raízes, a origem africana
E assim ganhamos:
O moreno, o moreno claro, o chocolate ou jambo
O moreninho ou marrom etc. e tal
As cotas chegaram
E rapidamente enegreceu meio mundo
Que fugia da senzala e da mãe África…
José Leôncio 03maio2012
28/04/2012
outro verso
outro verso
Outro verso, outro universo
Repenso o destino, a vida
Que se cabe, ou que se deve viver
Rebusco o mar, e não sinto a brisa
Nem o volver de suas ondas
Mata-me, a ausência de praia
Quantos calendários sobreviveram
Ao tempo, ao vento, ao homem
E suas expedições, ilusões e sonhos vãos
Outro espaço, outro movimento
Manhãs e primaveras sempre vingaram
A ignorância e egoísmo humano
José Leôncio 28abril2012
27/04/2012
a musa e o tempo
A musa e o tempo
Sobre a musa e o tempo, acomodam-se
Muitos suspiros e olhares
Que ela finge não saber
Sobre a musa e o tempo, observa-se
Que sua presença, provoca harmoniosa comunhão
Entre o tempo, o espaço e o movimento…
José Leôncio 27abril2012
24/04/2012
inadiável
Inadiável
Hoje e não amanhã, forjarei
Em ensilas de durar e guardar
Sentimentos abstratos
De se zelar e não esquecer
Hoje e não amanhã, semearei
Jardins suspensos, longe de ervas daninhas
Para se fundar e firmar sementes solidárias
De se espalhar e não arrefecer
Hoje e não amanhã, vencerei
Medos, segredos e outros mitos
Para desafiar-me a riscos e abismos
De se conquistar e não se perder
Hoje e não amanhã, fecundarei
Sonhos e fantasias esquecidas ou tolhidas
Para se construir e se fundir
De se eternizar e não perecer jamais
José Leôncio 24abril2012
22/03/2012
poemeto
Conheço-te?!
E nem sei por quais desencontros
Este poema veio te encontrar
Entretanto, não o invalida…
Não tenho referencias ou sequer
Um retrato de te, só teu cheiro
Já este poema é cheio de te
Caminhas comigo ser invisível
José Leôncio
15/03/2012
combatente
Combatente
O bom combate travou
Superou alguns entraves
Outros nem tanto
Não se deu por vencido
O bom combate desafiou
Como quem subestima a luta do amanhã
Todavia, a humildade derreteu a soberba
Ganhou a ajuda dos semelhantes
Quanto combate ainda enfrentará?!
Enquanto vida houver, muitos…
Pois todo dia viver é uma vitória
E quem tem fé, não foge ao combate
José Leôncio 15março2012
14/03/2012
imperativos, olhos
Imperativos, olhos
Seus olhos são lindos
Pela tristeza que carrega
Pela melancolia que me toca
Seus olhos interiores, profundos e profanos
A cor eu não digo,
São dignos de toda admiração
Seus olhos imperativos
São imãs, correntezas – a eu engolir
Como desconhecidos lagos, abismais…
José Leôncio 14mar2012